sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O BRASIL CORRE PARA TRÁS

Vicente Lenilson, nosso maior atleta nos 100m rasos, a mais nobre das modalidades olímpicas, neste 15 de agosto, numa das eliminatórias – que o derrubou– para classificação à prova final (que assistirá de algum lugar longe da pista), levou 10 segundos e 26 décimos para percorrer a distância que já baixou dos 10 segundos para os 9 há exatos 40 anos. O atual recorde mundial pertence ao jamaicano Usain Bolt, com 9seg e 72 décimos, marca atingida no começo de junho último. Nesta prova em que Lenilson correu como um Gordini ou voou como um 14-Bis, 7o colocado ao final, o mesmo Bolt, mais lento desta vez (9segundos e 92 décimos), fez o melhor tempo.

Lenilson, natural de Currais Novos, RN, 31 anos, 1,66m (baixinho o moço), com a velocidade conquistada hoje – o melhor dos brasileiros na modalidade, nestes jogos olímpicos –, superaria com folgados 14 décimos de segundo ao alemão Armin Hary e seu modesto tempo de10”30 na Olimpíada de Roma, em 1960, há 48 anos. Faltavam ainda 17 anos para o futuro atleta potiguar nascer. Nascimento demorado esse. (16/08/2008)

5 comentários:

Anônimo disse...

Sr. Paulo,

desculpe, mas é muita injustiça com o País! E o César Cielo, que acaba de conquistar o ouro no nado 50m livre? Que me diz? Isso no mesmo dia em que o sr. dá um enorme destaque a esse mau momento dos 100m no atletismo brasileiro.


Jurandir Bastos, Capão da Canoa, RS.

Paulo Bentancur disse...

Caro Jurandir,

torcedor é isso! Tu és o exemplo dos exemplos. Mas, cuidado. É só o primeiro ouro, e com tão pouco o Brasil pulou do 34o lugar para o 28o. Já é uma evolução, reconheço...

Vamos por partes. 1) Meu tema era outro: o papel lamentável numa modalidade que é clássica nos jogos olímpicos, momento emblemático e no qual estamos, há horas, desde Robson Caetano, maior velocista de todos os tempos (10s06, recorde sul-americano em Bogotá, 1988, e, nas olimpíadas daquele ano, na Coréia, bronze nos 200m), sem grande estrela. 2) Variante da minha observação: podemos dar mais no atletismo, como na ginástica, que, tirando a Daiane dos Santos no solo, só tem o sonho da Jade e seus tombos no final. Desculpas não faltam. Mas anime-se, amigo: vem mais ouro por aí, quase óbvio: para vôlei de praia, vôlei de quadra (neste ano, as mulheres com mais chance que os homens), futebol (no mínimo o feminino), talvez a Maurren Maggi uns cinco ou seis. Dá para terminar num honroso 12o lugar, qua tal? Entre 204 nações... 3) A questão não é torcer simplesmente, mas anotar o que está errado. Torcer eu torço, ainda mais para um país que, se não for empurrado, é quase nada, porque tem tão pouca cultura que o que lhe sobra mesmo é a fé de quem deseja tanto que ele vença. Como, não sei. Talvez com o fator fundamental do imponderável, que impera mais que a técnica. Não tanto, claro – de tal forma que a lógica ainda decide, com China, dona da casa, em primeiro no quadro de medalhes, EUA em segundo, depois Alemanha, Coréia do Sul, Itália, Japão... Bem, e a Zâmbia em último, nada tendo conquistado, com nada a oferecer, nada, nada. Já é um consolo na comparação.

Anônimo disse...

Caro Paulo:

que OlimPIADA. Fizemos uma ginástica para chegar até lá e os ginastas, pelo jeito, beberam demais, comemorando antes do tempo (risos amarelos). Caíram no fim, depois de executaram uma série de manobras. Frustrante. Mais ou menos como levar um gol aos 45 minutos do segundo tempo...

Álvaro Donatello, Nova Santa Rita, RS.

Anônimo disse...

Caro blogueiro:

que acha do nosso futebol, enganando bem?

Sophia Santos da Costa - Giruá, RS.

Paulo Bentancur disse...

PrezadaSophia:

obrigado pela visita, pelo comentário, reação sempre estimulante, a ampliar as questões.

Sabes que não acho? Acho que enganávamos antes, quando nos achávamos os maiores (e até éramos, mas por nos acharmos tanto, fomos perdendo a concentração, a seriedade, o futebol).

Agora, com essa seleção do Dunga, desacreditada (só pelos brasileiros, que adoram uma ilusãozinha), enfim retomamos a realidade: futebol é concentração, seriedade, humildade, respeito ao adversário, marcação, esforço duplicado de cada um, nada de firula etc. Tudo isso hoje o Brasil realiza, por não mais estar se achando o maior e, assim, não enganar mais.

Pode dar ouro. O diabo é o Messi pelo caminho. Nem é a Argentina...

Beijo!