sábado, 28 de junho de 2008

O INTER TEM MUITAS CHANCES NESTE GRENAL

O leitor gremista que tenha compreensão, algo menos complicado da forma com que a tratam quase todos. Compreensão.
Por algum time eu teria de torcer. Podia ser pelo São José. É pelo Inter.
Como domingo, 29 de junho, haverá Grenal, só depois do jogo, só muuuuuito depois do jogo, é que nossas relações – entre eu e o torcedor gremista – poderão se restabelecer. Por mim, não precisaria esse prazo. Já estou numa boa com eles, sempre estive, desde que não ponham o Grêmio acima da sensatez e da civilidade. O Inter eu o ponho – não abaixo do c. do cachorro, mas só porque é futebol. E futebol, às vezes (hoje ando pensado "o diabo é que só às vezes")...
Pois esta é a primeira chance do Inter num Grenal para o qual chega muito desacreditado, e com razões de sobra.
Não diminuo o Inter. O Inter é que anda se diminuindo.
Para começar, futebol é velocidade, e o Grêmio está voando nos cascos enquanto no segundo tempo o Inter parece já começá-lo com a língua de fora. Claro, convém lembrar que só velocidade não resolve, se esta for convertida numa desenfreada correria, sem maior sentido. É preciso saber para onde correr e, até, como correr. Uma velocidade mal-empregada pode ser um veneno contra o próprio corredor. Mas a verdade – sintetizemos – é que a velocidade é, sim, uma arma no futebol atual, e neste quesito o Grêmio tem um preparador físico que tem acertado a mão. A mão e os pés.
Basta ver a tabela e a conversa quase é encerrada. O Grêmio está em 2o lugar no campeonato nacional enquanto o Inter lambe as bordas do funil onde jazem quatro potenciais candidatos ao rebaixamento. Mas tabela não ganha jogo, sabemos, embora psicologicamente pressione o pior colocado e desespere o torcedor deste. Na hora do Grenal, para terem uma idéia (sou candidato a hipertensão), estarei lendo Fantasma sai de cena, do Philip Roth. Afinal, tenho de disfarçar o medo com a aparência da coragem e em alto estilo.
Mas retomemos o mote deste post: as chances reais do Inter. A maior de todas, claro, é vergonhosa e acho que em clássico caseiro, sobretudo na sisuda cultura gaúcha, não cabe aventar essa possibilidade: o árbitro. Comprar o juiz seria uma boa; não, uma ótima. Mas deve custar quase o passe da repatriação do Rafael Sobis e resolveria só por uma partida. O Sobis resolve várias.
A segunda chance seria um possível salto-alto do Grêmio, um “já ganhei” compreensível nas atuais circunstâncias. O diabo é que o Grêmio não é brasileiro, é argentino, uruguaio, paraguaio, qualquer coisa que carregue sangue charrua, sangue mais quente para defender essas estranhas origens vindas do frio mais frio. Ou do úmido pantanoso paraguaio. E gente assim não bota salto-alto nem se fosse gay.
O Grêmio tem uma cultura daquele tipo: coloca espora sem colocar as botas. Joga de pé no chão e ri das travas das chuteiras do adversário, como se elas fossem, essas sim, o salto-alto do outro.
O Inter não tem razão alguma para salto-alto, mas tem andado em campo como quem usasse um. Corre pouco, e isso sem falar na zona aérea, onde perde de cabeça (na entrada da área!) quase todas as disputas – é só ver os dois gols bestas do Vitória, domingo passado. Lentidão até no ar. Voltei a pensar em velocidade. O Grêmio, de quem ninguém esperava nada antes de o brasileirão começar, é o Kubica, o polonês. O Inter é o Rubinho.
E sempre com aquele sorriso amarelo e o dedo levantado em sinal de positivo. Só se for pra próxima.
Mas... e as chances do Inter? O árbitro é que não é. Bem, pode ser. Tirando o Gaciba, o Simon, quem mais?, a verdade é que os árbitros são os maiores perebas do futebol atual. O nível da arbitragem tá mais ou menos como o do futebol praticado pelo Inter. Pode emparelhar o clássico. Os melhores, hoje, são os gandulas, que sabem conduzir um jogo e decidi-lo na hora certa.
Outra chance do Inter (por essa eu rezo): a chuva. Uma chuva torrencial, daquelas de inundar o campo, tornando-o impraticável. Adiar o jogo não resolveria: a surra somente seria adiada. Mas aí, vamos ser realistas. Falávamos agorinha mesmo dos péssimos árbitros. Mesmo com campo sem condições os homens de amarelo (antes eram de preto) costumam dar condições para que a partida se “realize”. O que acontece? Bola trancando na poça ali, bola travando na poça lá, bola parando na poça acolá, e os 90 minutos vão se arrastando com uma espécie de dança de bêbados, sem lógica alguma – nem mesmo a do acidente. Campo molhado de fato tira até o acidente porque a bola simplesmente não desliza.
Sim, tem a bola aérea, molhada, resvaladiça. Neste caso, não existe goleiro que se garanta na hora de tentar segurá-la. Quem sabe. Essa lei vale para todos. É puro acaso, e contra ele não há quem vença.
Nem o Grêmio. (28/06/2008)

5 comentários:

Anônimo disse...

Paulo,
muito oportuno este texto.
Amigo, devo dizer que não tenho problemas de coração,pelo menos não com esse que bate muito pelo colorado, e vou ver o jogo.
Ah,vou torcer por uma destas possibilidades que colocas e,por mais livros que esperem por mim na estante, meu foco em dia de jogo do Inter...lamento estrelas da literatura mas, só tem um "sol" pra mim:aquele do Guaíba!!!
Grande abraço colorado.
João.

Anônimo disse...

Mas bá tchê!!!Isso que é ser torcedor.
Invejamos isso dos gaúchos.
Parabéns pelo texto e pela torcida valente do colorado!
Magda Souza
(Curitiba-PR)

Anônimo disse...

Benta, querido:

Nunca gostei de futebol. Até ler "Meia encarnada, dura de sangue", publicado pela Artes&Ofícios, quando estavas por lá. Lembras? Por onde andará o Lourenço Cazarré? Gosto do texto dele. Por falar em velhas turmas e antigas leituras, e o pessoal da Vox? Podias escrever um pouco sobre isso, né?
Parabéns pelo site! E aquele texto sobre as experiências do editor?
Abraço gremista!
Érica Cocolicchio

Anônimo disse...

Sr> Paulo

Sinto dizer que o futebol é algo para time como o São Paulo que de tanto ganhar, enjoou. Esse ano não resolvemos ganhar o brasileiro para mostrar nossa humildade. rsrsrs. Ótimo texto, moço, como sempre. Acertou o gol.

Jeff Negromonte

marcus vinicius disse...

Amigo Paulo

Tens um belo site, coisa digna de ti, bastante esclarecedor e detalhado ao extremo. Gostei de folhar teu site e de me atualizar sobre tua vida literária. Continuo a torcer por ti. Beijos no pessoal de casa.
Marcus Vinicius