segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO

Quem não fala consente. Quem cala é porque sente o que não cala, aquilo que, gritando além de toda literatura, impede o texto, como a um homem, de caminhar. Desculpem, amigos, o silêncio que desde outubro tenho mantido, regularmente, como se fosse uma escolha. Não é. O silêncio tem me dito coisas cabeludas. Nem ouso contar-lhes. Mas o ano é outro e, embora a cronologia seja apenas uma miragem, do que afinal somos feitos (Berkeley) senão delas mesmo, do nosso entendimento para além e aquém dos "fatos", nesse deserto de almas?

Edgar Allan Poe completaria, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, 200 anos. Troco não ser lembrado como ele é hoje por não ter uma vida como a dele.

7 comentários:

Anônimo disse...

Cara,

há quanto tempo! Que que houve, que que houve?! Já sei, a crise mundial... Está bem, sem piadinhas: a crise individual. Dá para separar uma coisa da outra?


Júlio Santos Bastos – Caxias do Sul, RS

CeciLia disse...

Paulo,
sei do silêncio e dos consentimentos surdos (mas jamais mudos), que não damos. Sei dessa necessidade de não nomear, vezenquando, o que nem a literatura dá contas: a vida, em todos os seus rumores. Gostei demais do teu post. Por identificação ou mímese. Abraços, profe sempre.

Anônimo disse...

post com perna de anão esse, mano!

deixa o eddie de lado e solta o verbo.

como já disse, o silêncio é pros sábios.

abração, jorge.

Anônimo disse...

Paulo,
sabemos que SEMPRE há um motivo para o silêncio por isso, respeitei o teu.

Joana Giacomazzi

Melissa disse...

Sim. E foi aniversário de morte da Elis, também.



ai ai.


oi.

Paulo Bentancur disse...

CeciLia,

como sempre, escritora, a palavra acordada em meio ao turbulento sono da vida. Obrigado pela visita. Me dá alegria. No mínimo.

Beijo

Paulo Bentancur disse...

Melissa:

puxa, tô mesmo longe da música, ao menos da MPB. E eu que fui fãzoca da Elis... Mas o diabo é ter 51 anos depois que se teve 23 (quando eu amava Elis e jamais os Rolling Stones). A gente fica infiel aos velhos sonhos, e, sem drama!, até ao próprio ato de sonhar, e quer a coisa viva, concreta, na mão, mesmo que seja uma abstração simbolizada por algum objeto – ou pessoa. Hoje minhas datas continuam variadas: o 3 de fevereiro (hoje!), casamento dos meus pais já mortos, o 26 de agosto, nascimento do Cortázar (um dos meus poucos ídolos, com direito a pôster e tudo SE eu usasse isso, pôster...), e mais umas dez datas que marcam os inadiáveis Shakespeare, Dostoiévski, Kafka, Philip Roth, Graciliano, Clarice, Beethoven, Woody Allen, James Ensor (para não citar só aqueles que, mesmo bons, acabam virando obviedade) e, sim, o 4 abril, centenário do Inter.

A verdade é que datas não faltam. A gente é que esquece de algumas sem necessariamente esquecer o homenageado (questão idiossincrática de ser pouco dado a rituais). Mas no caso da Elis, confesso, para mim já era. Não por ela, mas por mim, que resuscitei outro há mais de uma década. Metamorfoses do tempo, inevitáveis. Pobre daquele que não muda, que não sabe esquecer...

Beijocas, guria Revelação das Letras em 2008!