Quem não gosta de descobrir? Quem pode descobrir se não vê? Quem pode ver se não escuta? Quem pode escutar se não fala? Quem pode falar se não lê?
Na leitura está o caminho de uma série de mistérios. Continuamos aqui uma série sobre os mistérios da escrita criativa, da criação literária. Criação que nos ajuda a criarmo-nos enquanto seres cheios de mistérios.
VIII
Há perguntas que respondem mais que certas respostas. E há perguntas que exigem respostas. Abaixo algumas perguntas acerca de questões essenciais envolvendo a literatura e a vida literária.
1) O escritor é, por definição, um habitante das sombras mesmo, ou não será essa uma definição um tanto romantizada?
2) Tendo que escolher apenas uma das hipóteses – a fortuna de ter público ou a glória de ter crítica favorável –, qual você acha que seria a opção escolhida pela média dos escritores?
3) Mesmo respeitando a opção particular pelo recolhimento extremo de um Dalton Trevisan ou de um Rubem Fonseca, qual sua opinião sobre os reflexos dessa inclinação ao esconderijo na obra desses escritores – ela ajuda ou prejudica na divulgação e na compreensão de seus livros?
4) O conto parece ser o gênero de maior êxito entre os escritores brasileiros. Vide Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar e tantos outros. Por que essa vocação brasileira para o conto, até porque se sabe que romance vende mais?
5) Qual sua opinião sobre uma certa rejeição do público ao conto? Considerando-se o pouco hábito de leitura e o menor tempo disponível ainda, é praticamente incompreensível que romances enormes vendam com muito maior facilidade que histórias curtas.
6) Quanto de crítico tem que ter o biógrafo de um escritor, 50%?
7) Não será o escritor alguém que tem dificuldade em aceitar quem não se devora por dentro, com o ácido da autocrítica, por não estar criando (não importa o quê)? Afinal, o escritor, que cria para criar-se, sabe que todos não estamos prontos. (09/08/2008)
